sábado, 13 de julho de 2013

A loucura do amor


Cada vez que começo a pensar sobre esse nome, chega a vir pruridos em meu corpo.
Não! Eu não me esqueci de tomar banho e nem fiquei sem minhas capacidades mentais, mas penso no amor, como a necessidade de banhar numa agua limpa e morna todos os dias.

Vejo o amor como a estabilidade de um avião após a turbulência; sendo o piloto a parte da sua  da mente racional. Ele sabe o que precisa ser feito, conhece o avião e todos os seus comandos.
Os passageiros são toda sua experiência de vida, seus medos, fraquezas, incertezas e certezas e toda sua longa história que fora construída com o passar dos anos.

A paixão é a turbulência!
Mexe, sacode- nos e deixa-nos desnorteados e incertos do que pode acontecer dali cinco minutos. Mas não há o que fazer, a não ser passar por ela da melhor e mais segura maneira.

O amor é linear.
É o plano de voo traçado e calculado.
Nele você tem o domínio do avião da sua vida e dos passageiros da sua história de vida. Nele você é o responsável e tem meticulosamente planejado o que vai acontecer.
Não que eu seja expert no amor, mas quem sabe como mulher, vivo mais intensamente a arte de amar.

O amor tem a paciência de esperar até que dados momentos de nossas vidas atinjam patamares almejados, abaixamo-nos e nivelemos até a altura do outro para que se sinta confortável com nossa presença e até mesmo com nossas bobas conversas. Vejo o amor como o prumo que me nivela para compreender melhor o outro.

O amor consegue abafar (até certo ponto) um ciúme que seria danoso num relacionamento ou até mesmo protetor ao ponto de nos tornar altruístas de carteira assinada, mesmo que outrora imperasse um egoísmo quase profano dentro de nosso coração.
Ah! O amor é desprendimento, é individualidade compartilhada, é permitir que o outro entre numa zona que outrora era como um campo minado. Ai de quem pisasse naquele lugar!

Vejo também como o desnude da alma, onde nossas vergonhas e imperfeições são expostas em plena luz do dia e ainda assim não seremos ridicularizados por aquilo, que para nós, muitas vezes tem o peso gigantesco de vergonha ou constrangimento.
O que mais me impressiona é a flexibilidade e extensão que o amor pode ter.
Ele se adapta em qualquer ambiente, classe, cor, credo ou relacionamento, espaço, modo e tempo.
Entra em frestas minúsculas e pode crescer até proporções descomunais. Cria laços, reforça elos, traz identificação com o outro, une diferentes, solidifica o que já existia e consegue permanecer intacto dentro de sua fonte, que somos nós mesmos.

Só amor faz o ser humano aceitar condições que outro sentimento não teria tal capacidade de assimilar e até mesmo transformar nosso eu interior de uma forma espetacularmente melhor.
O amor nos faz aceitar o julgamento alheio e nem sequer nos importamos com o tal.

Então, nesse exato momento você deve estar se perguntando:

- Por que então a loucura do amor?

Porque só um sentimento tão puro, cristalino é capaz de ser 100% doação!

Não espera NADA em troca ou barganha. Ele simplesmente É.
Se tentarmos achar uma explicação lógica para os amores que amamos (sim, um pleonasmo bem vicioso!), corremos o risco de enlouquecer ou mesmo sermos taxados de loucos.
Porque é o momento que tocamos o que há de mais puro e sincero dentro de nós, é esse sentimento chamado amor.

Quando falo disso, não me refiro aos “amores” interesseiros, amizades que parecem ser totalmente transparentes, porém não são, ou mesmo casamentos e relacionamentos por conveniência ou comodismo.
Estou afirmando a respeito daquele momento em que nos voltamos ao nosso coração e nos damos conta de que o objeto do nosso amor pode não ser reciproco ou quiçá desmerecedor de algo tão sincero e verdadeiro.

Aí então podem e muitas vezes nos chamarão de loucos ou idiotas, porque um sentimento unilateral à primeira vista parece um prejuízo, mas não é.
Nesse momento de total insanidade eu digo que nessa vida eu levo prejuízo o tempo todo e mais ainda, eu me alegro com o prejuízo que eu levo.

Porque cada vez que eu consigo amar sem interesse, que eu me doo por completo por alguém ou para alguém é o meu coração que ganha em qualidade, sou eu que me torno melhor como pessoa, porque bebo de uma fonte que está dentro de mim mesma e tenho a capacidade e o poder de matar a sede de quem está perto de mim.

Lembrei-me da música do Lulu Santos que é realmente o que eu penso sobre o amor...

“Eu gosto tanto de você, que até prefiro esconder,
Deixa assim ficar subentendido
Como uma ideia que existe na cabeça e não tem a menor obrigação de acontecer.
Eu acho tão bonito isso, de ser abstrato, baby! A beleza é mesmo tão fugaz.
É uma ideia que existe na cabeça e não tem a menor pretensão de acontecer.
Pode até parecer fraqueza, pois que seja fraqueza então,
A alegria que me dá isso vai sem eu dizer!
E se amanhã não for nada disso, caberá só a mim esquecer.
O que eu ganho e o que eu perco ninguém precisam saber.”

Apenas mais uma de amor- Lulu Santos


Ah! Essas loucuras do amor e de amar...

O que eu ganho e o que perco realmente ninguém precisam saber!  


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